"Acho que deve haver um esclarecimento de quem de direito sobre se existe fundamento relativamente àquilo que foi dito e escrito, nomeadamente por parte de quem se sinta atingido pela notícia que saiu", disse à Agência Lusa Pedro Quartin Graça, antes de uma "arruada" no Chiado, Lisboa.
O Diário de Notícias (DN) avança hoje que o assessor do Presidente da República Fernando Lima foi a fonte do diário Público nas notícias que sucederam à sua manchete de 18 de Agosto, já em pré-campanha eleitoral, segundo a qual Cavaco Silva suspeitava estar a ser espiado pelo Governo liderado por José Sócrates.
O dirigente do Partido da Terra, que concorre ao sufrágio de 27 de Setembro coligado com o Partido Humanista, salvaguardou contudo que se trata de um assunto cuja veracidade ainda está por esclarecer e com "contornos pouco definidos".
"Não há confirmação do Presidente da República e, por sua vez, já houve desmentidos de outras pessoas. É um caso delicado que merece ser objecto de uma apreciação rigorosa", acrescentou.
A suspeita de que a Presidência estaria a ser espiada pelo Governo, noticiada pelo Público, foi formulada a propósito de críticas do PS quanto à alegada participação de assessores de Cavaco Silva na elaboração do programa eleitoral do PSD.
Entretanto, o líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, adiantou o nome de Fernando Lima como a fonte da notícia do Público em entrevista à SIC.
Foi na sequência desta manchete que o Público noticiou que as alegadas suspeitas de Cavaco Silva quanto a uma vigilância do Governo remontavam à visita do Presidente à Madeira em 2008, na qual teria sido observado um comportamento suspeito por parte de um assessor governamental, Rui Paulo Figueiredo.
Hoje o DN publica uma alegada mensagem de correio electrónico entre o editor de Política do Público, Luciano Alvarez, e o correspondente da Madeira, Tolentino de Nóbrega, com instruções para seguir pistas fornecidas por Fernando Lima quanto a essa suspeita, supostamente por ordem directa de Cavaco Silva.